sexta-feira, 6 de junho de 2014

INFORME: ASA PERNAMBUCO

21 famílias agricultoras assumem o protagonismo agroecológico há 14 anos no Sertão Pernambucano


Quanto mais a gente passeia pelas terras deste imenso Semiárido, mais conhecemos histórias maravilhosas! Aqui no Sertão do Pajeú, cada comunidade tem um livrinho de sabedoria mais gostoso do que o outro. Só que quando todos esses livrinhos se reúnem aos sábados, das 06h às 12h, na Praça Sérgio Magalhaes, no centro de Serra Talhada, a biblioteca fica completa! O que não faltam são cores, brilhos, sabores e saberes num espaço chamado Feira Agroecológica de Serra Talhada-FAST.

É isso mesmo! Há 14 anos, camponesas e camponeses de comunidades rurais dos municípios de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde e Serra Talhada deixam suas casas ainda com o céu estrelado e pegam a estrada rumo à FAST. Lá, elas e eles trocam aquele velho abraço fraterno, o cumprimento de bom dia, e só depois começam a montar suas barracas de cores verde e branca.  Aos poucos elas vão ficando coloridas, cheias de produtos fresquinhos e sem agrotóxicos. Pois é, cada um leva um pouco do que sabe, do que produz e, com isso, a primeira Feira Agroecológica do Sertão do Pajeú e Central no Semiárido Pernambucano, se fortalece ainda mais. 

Este ano, as 21 famílias agricultoras que compõem a Feira Agroecológica de Serra Talhada(FAST), vão  fazer uma festa de aniversário bem arretada, cheia de sabores, saberes, cultura e esporte. Afinal de contas, são 14 anos de existência e resistência. A partir das 06h da manhã, as agricultoras, agricultores e convidados vão mexer as articulações com o aulão de ginástica laboral. Depois todas(os) vão tomar café agroecológico ao som da banda Xililique, que promete esquentar o aniversário com o tradicional forró Pé de Serra.
Em seguida o grupo da Terceira Idade de Serra Talhada ‘Folhas Outonais’ abrirá a programação cultural com a dança do coco. Depois haverá o corte do bolo de aniversário, dança de capoeira com o grupo da escolinha da Prefeitura Municipal de Serra Talhada, apresentação de Xaxado com Gilvan Santos, através da Fundação Cultural Cabras de Lampião e para fechar a programação serão distribuídos alguns brindes, além do sorteio da rifa de um bode.

A festividade reunirá agricultores/as familiares, consumidores, além de representantes de organizações e parceiros da Feira como: O Centro de Educação Comunitária Rural(CECOR),Centro Sabiá, Associação de Desenvolvimento Sustentável da Serra da Baixa Verde(ADESSU), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Serra Talhada  e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco – Pólo Sindical Sertão Central(FETAPE).

Programação de aniversário da FAST:
06h-  Ginástica laboral com a professora Evânia Melo
07h- Café da manhã agroecológico
08h  - Apresentação do Grupo da Terceira Idade de Serra Talhada : Folhas Outonais
09h- Abertura  oficial do aniversário
09h30 – Corte do bolo de aniversário
10h –  Apresentação do grupo da escolinha de  capoeira da Prefeitura Municipal de Serra Talhada
10h30 –  Apresentação do Grupo de Xaxado Gilvan Santos, através da Fundação Cultural Cabras de Lampião
11h – Rifa e distribuição de brindes.

Por Kátia Gonçalves - Assessoria de Comunicação do Cecor

quinta-feira, 5 de junho de 2014

IFORME: ASA PERNAMBUCO

Sertão do Pajeú sedia Conferência Regional de Economia Solidária



Acontece nesta quarta-feira (04), em Afogados da Ingazeira, Sertão do Pajeú, a quinta Conferência Regional de Economia Solidária do estado de Pernambuco, promovida pela Secretaria Estadual de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo (STQE), através do Conselho Estadual de Economia Solidária (CEEPS/PE).

As Conferências Regionais servem de preparação para a Plenária Estadual que será realizada de 03 a 05 de julho, com o objetivo de ouvir a sociedade, fazer um mapeamento dos empreendimentos solidários e, a partir disso, elaborar propostas que serão levadas para a III Conferência Nacional de Economia Solidária, no mês de novembro, em Brasília (DF), com o tema “Construindo um Plano Nacional da Economia Solidária para promover o direito de produzir e viver de forma associativa e sustentável”.

Manoel dos Anjos é membro do Conselho Estadual de Economia Solidária e destaca a importância do encontro. “A Economia Solidária se apresenta como uma alternativa inovadora e sustentável de gestão de trabalho e renda para a promoção da inclusão social, por isso é fundamental que a sociedade participe dos debates regionais e estaduais para assim construirmos um plano efetivo que será apresentado na III etapa nacional”, disse.

O evento será realizado das 08h às 17h30, no Centro de Inclusão Digital (Antiga CAGEPE), na Rua José de Sá Maranhão, S/N, Bairro São Francisco, Afogados da Ingazeira. As próximas Conferências serão em Ouricuri (06/06), Jaboatão dos Guararapes (10/06) e Recife (03a 05/07).

Programação

8:00 Credenciamento/Recepção
09:00 Mesa de Abertura dos Trabalhos
09:30 Leitura e Aprovação do Regimento Interno
10:30 Apresentação sobre as Conferências (balanço e esclarecimentos)
11:00 Discussão por temas:
Grupo 01 – Produção, Comercialização e Consumo Sustentáveis;
Grupo 02 – Financiamento: crédito e finanças solidárias;
Grupo 03 – Conhecimentos: educação, formação e assessoramento;
Grupo 04 – Ambiente institucional: legislação e integração de políticas públicas.
13:00 Almoço
14:00 Plenária para Apresentação das Propostas dos Grupos
16:00 Grupos de trabalho para debater e indicar nomes para delegadas e delegados para a Conferência Estadual de acordo com o Regimento.
17:00 Plenária de votação para eleição dos/as delegados para a Conferência Estadual
17:30 Encerramento

Núcleo de Comunicação – CECOR
Juliana Lima (87) 9962 1987
Kátia Gonçalves (87) 9951 5362
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Feirantes se preparam para o 14º aniversário da FAST

A Feira Agroecologia de Serra Talhada (FAST) está com dias contados para somar mais um ano de resistência e sucesso. Na na manhã do último dia 21, produtores(as) agroecológicos(as) se reuniram no auditório do  Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor) para discutirem os preparativos do 14º aniversário da FAST que acontece dia 07 de junho, na Praça Sérgio Magalhães, Centro.

De acordo com a coordenadora da feira, Gildete Pereira, são vários motivos que irão contribuir para uma festa digna de aplausos, convidativa e acolhedora. “Temos inúmeros motivos para comemorar. Nos últimos anos enfrentamos uma seca castigável, consequentemente perdemos quase toda produção, o que afastou alguns produtores/as da feira. Foram muitos transtornos causados pela falta de chuva, mas agora a chuva caiu, a produção voltou com tudo e, claro, a alegria na face de cada um (a)”, falou Gildete.

Esse ano a programação vai começar cedo. Das 06h às 11h, os consumidores e convidados irão desfrutar de bons sabores expostos nas bancas enfeitadas com as cores verde e amarelo. Além disso, serão distribuídos bolos, sucos, chá, café, farofa de cuscuz e muita alegria para quem quiser participar.

Foi decido também, durante a reunião, a participação de alguns artistas locais. Dentre eles, a presença do famoso trio pé de serra de Batista para animar a moçada e a rapaziada, apresentações culturais como a dança do xaxado e do coco. No final todas e todos irão cantar parabéns e cortar o bolo.

Outra discussão importante foi a integridade da tabela de preços da feira. Para a agricultora e segunda secretária do Cecor, Maria Silvolúsia, a definição do valor dos produtos é necessária para todos/as, vendedores/as e consumidores/as. “O melhor mesmo é respeitar o que foi decidido em reunião para que não exista um produto sendo comercializado com valores diferentes. Tudo isso se chama organização que vem beneficiar o conjunto”, explicou.

Antes eram 18 famílias de comunidades rurais dos municípios de Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo que comercializavam no espaço todos os sábado, a partir das 06h. Hoje o número aumentou para 21, o que mostra que a agricultura familiar e a agroecologia vem ganhando espaços nos roçados e nas cozinhas urbanas.   

Núcleo de Comunicação do Cecor
Kátia Gonçalves (87) 9951 5362
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Famílias sertanejas recebem capacitação do Programa Uma Terra e Duas Águas

O Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor) realiza desde o último mês de abril, capacitações em Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA), em cinco municípios de execução do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), financiado pela Fundação Banco do Brasil (FBB).

O objetivo é ensinar os agricultores e agricultoras que irão receber as implementações do P1+2/FBB a cuidar da terra e da água de maneira sustentável, garantindo soberania e segurança alimentar para as famílias do Semiárido.

O técnico de campo Valdir Vieira destaca a importância dos momentos de formação. “O GAPA é o ponto primordial para que as famílias aprendam a ter um bom aproveitamento das tecnologias do programa, ensina como usar a terra e a água de forma correta, além de incentivar e fortalecer a produção agroecológica”, explica.

O P1+2/FBB será implantado em cinco municípios: Flores, Quixaba e Santa Terezinha, no Sertão do Pajeú e São José do Belmonte e Mirandiba, no Sertão Central. Ao todo serão construídas 450 tecnologias de convivência com o Semiárido (225 cisternas calçadão e 225 cisternas de enxurrada).

As próximas capacitações em GAPA vão acontecer entre os dias 30 de maio e 1º de junho nos municípios de Mirandiba e Flores, envolvendo 27 comunidades rurais.

Núcelo de Comunicação do Cecor
Juliana Lima (87) 9962 1987
Kátia Gonçalves (87) 9951 5362
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Carta Política do III ENA

“Cuidar da Terra, Alimentar a Saúde e Cultivar o Futuro”. Com este lema, o III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) reuniu-se entre os dias 16 e 19 de maio de 2014 na cidade de Juazeiro-BA. Com o público de mais de 2.100 pessoas vindas de todos os estados brasileiros, fizeram-se representar trabalhadores e trabalhadoras do campo, portadores de diferentes identidades socioculturais (agricultores familiares, camponeses, extrativistas, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos, faxinalenses, agricultores urbanos, geraizeiros, sertanejos, vazanteiros, quebradeiras de coco, catingueiros, criadores de fundos em pasto, seringueiros) , técnicos, pesquisadores, professores, extensionistas e estudantes, além de gestores convidados. Com a presença majoritária de trabalhadores e trabalhadoras rurais, nosso encontro alcançou participação paritária entre homens e mulheres, contando também com expressiva participação das juventudes.

A fase preparatória com as 14 Caravanas Agroecológicas e Culturais e o III ENA produziram claras evidências da abrangência nacional que assume hoje a agroecologia em todos os biomas brasileiros como referência para a construção de caminhos alternativos aos padrões atualmente dominantes de desenvolvimento rural impostos pelo agronegócio. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras do campo incorporam a proposta agroecológica como caminho para a revalorização do diversificado patrimônio de saberes e práticas de gestão social dos bens comuns e de reafirmação do papel da produção de base familiar como provedora de alimentos para a sociedade.

No III ENA pudemos constatar que a incorporação do enfoque agroecológico é também expressão da resistência da produção camponesa e familiar às crescentes pressões sobre ela exercidas pela ocupação de seus territórios pelo agronegócio e pelos grandes projetos de infraestrutura e de exploração mineral. Na análise que realizamos sobre os conflitos territoriais que se intensificaram nos últimos 15 anos, com o favorecimento das políticas públicas à expansão do grande capital no campo, constatamos que ao resistir em seus lugares de vida e produção, a agricultura familiar camponesa e os povos tradicionais produzem respostas consistentes e diversificadas para críticas questões que desafiam o futuro de toda a sociedade.

Reforma agrária e reconhecimento dos territórios dos povos e comunidades tradicionais, a afirmação da nossa sociobiodiversidade, conflitos e injustiças ambientais, agrotóxicos e seus impactos na saúde, acesso e gestão das águas, articulação ensino, pesquisa e ater, educação no campo, sementes da diversidade, abastecimento e construção social de mercados, normas sanitárias, financiamento e agroecologia, plantas medicinais, agricultura urbana, e comunicação, foram alguns dos temas abordados.

Ao realizar com êxito o III ENA no Ano Internacional da Agricultura Familiar Camponesa e Indígena, reafirmamos nosso compromisso e nossa disposição de luta pela transformação da ordem dominante nos sistemas agroalimentares, apontando a agroecologia como o caminho que desde já se coloca como a única alternativa na disputa contra a violência imposta pelo agronegócio e outras expressões do grande capital sobre os territórios nos quais a agricultura familiar camponesa e povos e comunidades tradicionais vivem e produzem historicamente para alimentar o nosso povo numa sociedade organizada sobre bases democráticas e de respeito aos direitos da cidadania.

INFORME: ASA BRASIL

A falta de políticas públicas e a sobrexploração de recursos naturais no Semiárido atinge principalmente a maioria da população, de origem africana e indígena
Ronaldo Eli-ASACom
04/06/2014
O Semiárido Brasileiro é visto, desde o século XIX, como uma região problemática, improdutiva, dependente de ajuda e incapaz de resolver seus próprios problemas. É também uma região onde a maioria da população é descendente de africanos e indígenas. Mas o desenvolvimento de políticas públicas, e mesmo a ação política de movimentos sociais no Semiárido, ainda enxerga muito pouco essa diversidade e seus efeitos, enquanto essas populações são as mais violentadas e marginalizadas da história do país.

Segundo a Sinopse do Censo Demográfico do Semiárido Brasileiro, que disponibiliza dados sobre a região baseados no Censo Demográfico realizado em 2010, 59,6% dos habitantes da região do Semiárido se declararam “pardos”, 7,15% se declararam “pretos” e 0,41% disseram ser “índios”. Juntos, somaram 67,16% da população da região. Dos 31,75% que se declararam brancos, 66,78% 

Crianças da comunidade quilombola Brejo dos Crioulos (MG): herança africana | Foto: João R. Ripper / Arquivo Asacom
habitam as cidades. É o maior percentual de habitantes urbanos entre as raças. Essas marcas originárias são invisibilizadas na proposição e desenvolvimento de políticas públicas. Existe, aí, um indício de injustiça racial?

“Chamamos de Racismo Ambiental as injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua 'raça', origem ou cor.” A definição vem do site Combate Racismo Ambiental, criado pela pesquisadora e militante Tania Pacheco, do Rio de Janeiro, descreve esse tipo de injustiça ambiental, que é alvo da atuação de um Grupo de Trabalho da Rede Brasileira de Justiça Ambiental - RBJA.

O público-alvo da atuação do GT pode ser encontrado em todos os estados do país. São comunidades e pessoas, principalmente de origem africana e indígena, que arcam com os custos do projeto de desenvolvimento em curso, que fortalece o capital privado e atende a todas as suas exigências, enquanto fecha os olhos para os impactos dos grandes projetos implementados por corporações nacionais e internacionais. “Esses grupos são os que têm menos acesso às políticas de garantias de direitos, apesar de suas muitas conquistas. São os que decidem menos, tem menos representação nos espaços políticos, tendo menos possibilidades de decidir sobre as políticas, determinar as prioridades. A degradação ambiental é resultado de um modo de apropriação e exploração da natureza baseado no lucro, é uma face das injustiças sociais. E os grupos que não decidem são os que mais sofrem com a degradação e a exclusão”, afirma Cristiane Faustino, membro da RBJA.

Ela explica que “a partir da década de 80 tivemos um processo de expansão capitalista muito acelerado, e na última década, com os governos Dilma e Lula, e também em toda a América Latina, houve um avanço do que a gente chama de economia extrativista, baseada na superexploração dos bens ambientais, atingindo duramente os territórios conservados pelos povos e reivindicados como territórios ancestrais, de vida e trabalho. É a luta dos indígenas pela demarcação, a luta dos quilombolas pela regularização de suas terras, e a luta camponesa pela reforma agrária. E porque esse cenário é racista? Porque as consequências negativas dele recaem diretamente sobre essas populações que foram subordinadas no processo de construção de nossa história. Além disso, esses processos são levados a cabo por grupos que trazem em sua concepção o modelo ocidental e branco. Tem uma forma de ser que é racista, e se aproveita de um contexto racista, que é o contexto de ausência de garantias dessas populações. Não necessariamente a empresa vai para um lugar pela população ser negra, mas se o território tem potencial econômico e a população de lá é negra, é muito mais fácil para a empresa passar por cima de tudo e garantir seu negócio.”

Dispersão étnica - Identificar e evidenciar as características étnicas e raciais dos conflitos da vida no Semiárido não é tarefa simples. O processo de invasão colonial e, posteriormente, de consolidação do Estado Brasileiro na região foi, por um lado, extremamente violento e, por outro, marcado pela desvalorização dos aspectos culturais e naturais da região. O professor José Luciano Aires, da Universidade Federal de Campina Grande, conta que as comunidades quilombolas e indígenas do Semiárido paraibano foram dispersadas por massacres: “Nós tivemos a atuação de sertanistas de São Paulo, como Domingos Jorge Velho. Eles marcharam para a Paraíba depois que destruíram o Quilombo dos Palmares. Por isso nós temos muitos descendentes indígenas, mas não comunidades.”

O professor e pesquisador atua em projetos de convivência com o Semiárido, focando seu trabalho na área da Educação, discutindo como se construiu historicamente a região Nordeste. Ele é o proponente do projeto “O Semiárido paraibano também é afro-brasileiro”, que teve financiamento aprovado pelo Ministério da Cultura para documentar a cultura de matriz africana no território, e destaca: “É importante que ao invés de lutar para combater a seca, a gente trabalhe com a perspectiva de convivência com o Semiárido. Politicamente, nós nos colocamos contra as políticas das frentes de emergência, do carro-pipa, que a gente entende que só vêm beneficiar as elites locais. Foi daí que nasceu esse projeto. A filosofia da convivência com o Semiárido não é apenas a convivência com o clima, mas a convivência com o outro, porque o Semiárido tem populações diferentes, não é homogêneo. Tem diversidades étnicas, raciais, de sexualidade, religiosidades, e nós percebemos que há uma grande rejeição com relação às discussões de matrizes indígenas e africanas. Quando a gente diz que o Semiárido também é afro-brasileiro, nossa proposta é dar visibilidade a essa tradição.”

A dispersão das comunidades em relação à questão racial influencia na configuração dos movimentos sociais e suas pautas. A maior parte dos herdeiros e herdeiras dos patrimônios afro-brasileiros e indígenas se organizam, quando o fazem, em associações de comunidades assentadas a partir de projetos de reforma agrária. “Então, a demanda por políticas públicas vem mais nessa linha, da luta pela terra, dos movimentos sociais do campo. Evidenciam muito mais uma identidade de classe, do que a relação étnica”, diz Aires.

Cristiane Faustino também identifica esse comportamento. Para ela, os movimentos sociais das cidades e do campo no Semiárido ganhariam muito em potencial estratégico ao inserir o componente racial em suas discussões: “A gente vive em uma sociedade, hoje, cheia de conquistas de direitos. A constituição de 88 traz essa marca. Esses direitos precisam ser colocados como estratégia de luta e enfrentamento à expropriação dos territórios. Se existe um Estatuto de Igualdade Racial, e uma Secretaria de igualdade racial, há que se considerar que as políticas de desenvolvimento desfazem o anunciado por essas conquistas. Se por um lado se garante os direitos, por outro, descolado desse direito, vem o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), uma política desenvolvimentista que expropria e está baseada na violência física e psicológica, na ameaça à própria vida de quem questiona esse modelo. Se o Semiárido consegue fazer essa leitura e desvelar o problema racial ali presente, isso fortalece demais o debate, porque vai ser descoberto, afinal, quem é essa classe camponesa que foi destituída de decidir.”

Opinião Quilombola - Antônio Crioulo, da comunidade quilombola de Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE) e coordenador executivo da Comissão Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas Rurais de Pernambuco, relata que o Estado conta com 124 comunidades quilombolas certificadas, a maioria delas no Semiárido. Destas, somente duas conseguiram avançar no processo de regularização de seus territórios. Ele acredita que a partir dos avanços na questão fundiária as comunidades podem avançar em outras questões.

Antônio Crioulo afirma que com o racismo ambiental vem a violência | Foto: arquivo pessoal
Crioulo aponta que, além dos problemas fundiários, as comunidades ainda sofrem com a questão dos recursos hídricos: “é muito complexo, porque as comunidades sofrem com o processo de desertificação, e ainda tem que lidar com as consequências de ações equivocadas como a transposição do Rio São Francisco.” A liderança quilombola afirma ainda que como o acesso à água do empreendimento se dará mediante concessão, não acredita que as comunidades serão beneficiadas, ainda que três comunidades remanescentes de quilombos sejam, literalmente, cortadas pelo canal, com impactos negativos.

Para ele, existe racismo ambiental nessa e outras injustiças sociais cometidas contra as comunidades vulneráveis: “Em Rio dos Macacos (Simões Filho-BA) a Marinha faz o que quer na comunidade, inclusive estuprando as mulheres. Só em Pernambuco, mineradoras ganharam o direito de explorar as terras de 5 comunidades. Para fortalecer as comunidades o acesso ao patrimônio é difícil, mas para as grandes empresas, é facilitado. Com tudo isso vem a violência. Em Castainho (Garanhuns-PE), Zé Carlos, que é liderança, não vai à comunidade há três meses, por ameaça dos fazendeiros. Isso acontece também com Goreth, de Chã dos Negros (Agrestina-PE), e outros.”

O quilombola, o pesquisador e a militante ambiental fazem coro ao dizer que o maior enfrentamento das comunidades é contra o latifúndio e o agronegócio e os grandes empreendimentos privados, que monopolizam as políticas e perpetuam as maiores violações de direitos na região. “Nossa grande luta é pela agricultura familiar e pela agroecologia. Nós nos contrapomos ao agronegócio, que além de usar os agrotóxicos, são os que recebem mais recursos do Governo, são os que menos empregam e menos contribuem para a produção do alimento, pois são voltados para o mercado externo, produzindo soja, por exemplo. Essas comunidades, de assentados, quilombolas, ribeirinhos, são afetados diretamente por essas políticas construídas historicamente, do grande latifúndio, das condições degradantes de trabalho, a falta de crédito, sem falar nos aspectos específicos de racismo, preconceito, desqualificação, que fazem parte do cotidiano do semiárido.”

INFORME: MENSAGEM DO PADRE

Filhos e filhas,

Estamos em uma semana especial, no próximo domingo celebramos Pentecostes, a efusão do Espírito Santo. Somos convidados a vivenciar um verdadeiro cenáculo, onde Maria estará conosco, como esteve com os onze apóstolos (cf. At 1, 12-14), pedindo para que Deus derrame sobre nós o seu Santo Espírito e que assim sejamos transformados e revigorados no seu amor.
Papa Francisco, em uma de suas homilias na Casa Santa Marta, nos diz que “o Espírito Santo é a presença viva de Deus na Igreja. É o que faz a Igreja avançar, caminhar cada vez mais, indo além dos limites, indo mais adiante”. E quem é a Igreja? Todos nós, filhos e filhas de Deus. Por isso neste Pentecostes peçamos que o Espírito Santo de Deus renove nossa fé para que possamos caminhar com ânimo e esperança avançando cada vez mais na evangelização.
Porém, para nossa fé ser renovada, precisamos aceitar o Espírito Santo, devemos pedir ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito. A docilidade a este Espírito que nos fala no coração, que nos fala nas circunstâncias da vida, que nos fala sempre.
E por fim, gostaria de ressaltar que Pentecostes é a festa da união, da compreensão e da comunhão humana. Por isso nesta semana vamos rezar pela unidade dos cristãos, para que todos nós, que acreditamos em Jesus Cristo, possamos nos ater naquilo que nos une, pois “Acaso Cristo está dividido?” (1Cor 1,13). Não somos de Paulo, nem de Apolo, somos todos de Jesus Cristo.
Para que permaneçamos unidos em Cristo, rezemos pedindo o Espírito Santo:
Divino Espírito Santo,Derrama sobre mim, neste dia, os teus dons.Peço os dons da Sabedoria, do Entendimento,da Ciência, do Conselho, da Fortaleza,da Piedade e do Temor de Deus.Divino Espírito Santo,Há tantas coisas que não compreendo.Há tantas respostas que não tenho.Há tantas decisões a serem tomadas.Divino espírito Santo, amor do Pai e do Filho,Inspira-me sempre o que devo pensar,o que devo dizer e como devo dizer.O que devo calar, o que devo escrever, como devo agir.Inspira-me o que devo fazer para obter a tua glóriae a minha própria santificação.Amém
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti




Padre Reginaldo Manzotti faz show beneficente em Belo Horizonte

O padre Reginaldo Manzotti esteve na capital mineira no sábado (31 de maio), onde apresentou o show “Faça-me Crer” em prol do Projeto Providência da Arquidiocese de Belo Horizonte. O evento foi realizado na via 240 e teve início com a Celebração da Palavra de Deus, com a participação de Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães. Mais de 10 mil pessoas estiveram presentes e ajudaram a instituição – que atende crianças, adolescentes e jovens carentes – doando 1 kg de alimento não perecível. A iniciativa fez parte das comemorações do Mês do Trabalhador da Força Minas. Um dia antes, o sacerdote foi recebido pelo Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo e visitou os estúdios das emissoras irmãs da Catedral Rede de Comunicação Católica.








Lançamento do livro Milagres e sessão de autógrafos com o padre Reginaldo Manzotti em Belo Horizonte (MG)

O padre Reginaldo Manzotti esteve no último fim de semana em Belo Horizonte onde participou no sábado (31) da Celebração da Palavra e no domingo (1º) realizou o lançamento do livro Milagres e sessão de autógrafos no Shopping Del Rey em Belo Horizonte (MG).