quarta-feira, 9 de abril de 2014

Informe Regional

Mulheres de Salobro e Novo Cajueiro expõem em Brasilia

As mulheres da ASMOSA ( Associação Mista de Moradores e Produtores Rurais do Distrito de Salobro) e Associação Novo Cajueiro, grupos acompanhados pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, participaram do " II Encontro Nacional dos Comitês de Mulheres dos Territórios da Cidadania", em Brasília, entre os dias 24 a 26 de março, expondo seus produtos.

O objetivo da mostra é estimular a auto-organização das mulheres nos territórios, motivando e fortalecendo os comitês , suas organizações, visando o acesso às políticas públicas.

Participaram da mostra Luedja de Cássia, diretora da ASMOSA, e Mercilda Espíndola da Associação Novo Cajueiro.

Transformação social está além das implementações, envolve formação e mobilização social

Cisternas de água, fartura e vida refletem mobilização de famílias
Flávia Carvalho - comunicadora popular da ASA
Manoel Vitorino | BA
09/04/2014
A transformação social do Semiárido está para além das tecnologias implementadas, pois envolve um intenso processo de formação e mobilização social, concretizando não só a tecnologia social, como também solidificando práticas de convívio e amor aos biomas caatinga e cerrado. Para Eliane Almeida, coordenadora técnica do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) no Isfa, na Bahia, todos os passos do P1+2 explicitam a preocupação de tornar o programa um processo de reflexão e de protagonismo de homens e mulheres do sertão.


"Cisternas não são só concreto, tornam vida mais cheia de significados" | Foto: Ana Lira/Arquivo Asacom
“Precisamos  ver, entender, refletir e amar as tecnologias sociais não pela sua concretude em si, ou seja, pela sua matéria construída, mas sim amá-las por todo conteúdo envolvido no processo de sua chegada às comunidades. Ao olhar para uma cisterna de consumo humano, uma cisterna-calçadão ou enxurrada, uma barragem subterrânea ou um barreiro-trincheira, temos que ter a capacidade de enxergar nelas as mobilizações, as discussões desenvolvidas nas capacitações, a aprendizagem nos intercâmbios, na troca de conhecimento e experiências camponesas, os desafios das comissões municipais, os mutirões de solidariedade, o desacreditar de muitos que se tornaram faíscas de esperança! Então poderemos dizer com certeza que cisternas não são só concreto, mas também gente acreditando e trabalhando para tornar sua vida mais cheia de significados”, reforça a coordenadora.

Nesse processo de protagonismo, os membros das Comissões Executivas Municipais (CEM) que estiveram presentes relembraram a caminhada camponesa junto ao Isfa, iniciada através da chegada da primeira água, a água para consumo humano, com a execução do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). A vontade e bem-querer pela transformação social do Semiárido se traduzem na qualidade de vida, na segurança hídrica e alimentar conquistadas por agricultoras e agricultores na história do P1MC.

Para Ivanda Alves, mais conhecida como Vanda, agente comunitária de saúde (ACS)  da Onça, em Manoel Vitorino, “quem sabe a diferença que a ASA fez [nas comunidades] são os agentes comunitários de saúde! Hoje todo mundo tem água de qualidade para beber, evitando a verminose, a diarreia... E acabou o problema para os ACS!”, relata Vanda.

Para Vanda, a capacitação de ACS (**), promovida durante a execução do P1MC, foi o início do fortalecimento do vínculo entre agricultores (as) e a ASA, afirmado mais uma vez durante o P1+2: “Quando eu vim participar do curso de ACS, pra mim foi um sonho, porque eu sabia que ia melhorar minha comunidade. Com a cisterna de 52 mil litros, conheci melhor a família ASA e abraçamos o Isfa com muito carinho. E eu falo com vocês: Busca, corre atrás, que a gente consegue, com muita fé!”.

Área rural de Serrinha (RN) recebe formação para comissão municipal | Foto: Arquivo Fetraf
Para Vilma Celeste Bispo, agricultora familiar da comunidade da Boa Vista, Manoel Vitorino/BA, a organização da comunidade nem sempre é um processo fácil, mas que rende muitos frutos quando levado à sério. “Nada existe sem trabalho. Mesmo com as dificuldades, dá certo! Os canteiros tão produzindo e os (as) agricultores (as) têm que acreditar mais, porque está dando certo”.

Vilma também protagonizou uma sistematização para o boletim O Candeeiro (***). Através do informativo, ela e sua comunidade puderam comunicar as boas experiências e partilhar os saberes do povo da Boa Vista. E acreditando na comunicação popular, Vilma também trouxe consigo uma experiência exitosa para contar: “Seu Manoel está surpreendendo a Boa Vista (...) teve uma hora que ele pensou em desistir, mas continuamos. E hoje, ele está produzindo muito, já plantou coentro, tomate e muitas hortaliças!”. Assim, a comunidade da Boa Vista continua sendo uma referência, com histórias positivas de seu povo guerreiro, que apesar das dificuldades, consegue construir dias melhores, mais férteis e ricos.

Com essa carga de troca de experiências, Orlando Ribeiro, também membro da CEM e agricultor da comunidade da Ruinha, Boa Nova/BA, acredita que a partilha de saber é responsável pela vida e pela renovação da luta nas comunidades: “Eu nunca quero abrir mão dessa ASA, ela é conhecimento, união, alegria, ela é tudo pra mim. Pra mim, não existe pensar individualmente, tenho que pensar no coletivo! A gente tem que abraçar essa cisterna. Pois aí vai ter água pura, conhecimento e qualidade de alimento”.

Comunidade de Tobias Barreto (SE) celebrando a conquista da água | Foto: Ana Lira/Arquivo Asacom
A partir de pequenas e grandes transformações na lida cotidiana no Semiárido é possível visualizar perspectivas diferentes para o campesinato. Com o retorno do P1MC para a região, mais cisternas de 16 mil litros serão implementadas, contribuindo cada vez mais para consolidar a universalização da primeira água e fortalecer o campesinato. E, com a chegada da segunda-água, a segurança alimentar começa a ser mais reafirmada do que nunca.

A possibilidade de continuar esta caminhada renova os ânimos de agricultoras, agricultores e das entidades ligadas à ASA. A partir da reflexão de sua própria história, o povo do Semiárido celebra não apenas a concretização das tecnologias sociais, mas o empoderamento da dignidade de ser sertaneja e sertanejo, donos (as) das possibilidades de transformar suas vidas, com autonomia.
(*) O P1+2, executado pelo Isfa, é fruto de um contrato de patrocínio celebrado entre a ASA e a Petrobras.
(**) A capacitação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) é uma etapa de construção de conhecimento no Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que constrói cisternas de primeira água, a água para consumo humano. O ISFA executa o P1MC há 2 anos e já construiu 1.600 cisternas de 16 mil litros.
(***) O boletim O Candeeiro é o espaço do P1+2 para sistematização de experiências. A sistematização é utilizada para troca do conhecimento. Ela cumpre importante papel na valorização e na reorganização do saber construído e acumulado localmente, além de promover a geração de novos conhecimentos.

 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

De Olho nos Movimentos Sociais

Mobilização alusiva ao Dia Mundial da Água celebra conquistas dos 21 anos da Articulação do Semiárido Paraibano
Áurea Olímpia
Campina Grande-PB
A concentração aconteceu em frente ao Teatro Municipal Severino Cabral | Foto: Simone Benevides
Cerca de 1.200 pessoas participaram, em Campina Grande (PB), no último dia 28 de março, da “Mobilização pelo acesso à água de qualidade como um direito de todos”, realizada pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. O objetivo da atividade foi ainda o de celebrar as conquistas dos 21 anos de atuação da ASA Paraíba no seu trabalho de construção de um projeto de convivência com o semiárido, baseado na agricultura familiar de base agroecológica. A celebração é especialmente a partir da política de acesso a reservatórios de água, como as cisternas de placas, além do processo de formação voltado para o manejo sustentável desse recurso natural.

A programação teve início às 8h da manhã, quando as caravanas chegaram das regiões do Alto e Médio Sertão, Cariri, Curimataú, Brejo, Agreste e Seridó se concentraram no interior do Teatro Municipal Severino Cabral. O grupo de tradições folclóricas Acauã da Serra animou a chegada dos participantes com músicas emblemáticas da região nordeste e da cultura sertaneja, com o autêntico forró pé de serra. Em seguida foi apresentada uma peça de teatro que mostrou de que forma a chegada da cisterna vem revolucionando a vida no semiárido e como é feito o processo de mobilização e envolvimento das famílias agricultoras.

Luciano Silveira fez um resgate histórico da luta pela convivência com o Semiárido | Foto: Simone Benevides
Exposição
– Ainda dentro do teatro houve a exposição feita por Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, uma das 300 entidades que faz parte da ASA Paraíba presentes em mais de 160 municípios paraibanos. Luciano fez uma apresentação da região semiárida brasileira, área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados onde vivem pero de 2 milhões de famílias agricultoras. Em seguida trouxe um resgate histórico das secas na região e do cenário de calamidade, subordinação e dependência das famílias no acesso à terra, à água e as sementes e as soluções apresentadas pelos governos da época de “combate à seca”. Ele relembrou a ocupação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) em 1993 que deu origem a Articulação do Semiárido Paraibano e que significou um marco na luta pela autonomia dos agricultores e agricultoras da região. Falou ainda do processo de criação do Programa Um Milhão de Cisternas, da ASA e atualmente executado com recursos do Governo Federal, por meio da parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que já construiu mais de 600 mil cisternas em todo o semiárido brasileiro.

Atividades apresentaram problemas das cisternas de placas | Foto: Simone Benevides
Cisternas de plástico
– Ao final da exposição foram exibidas matérias veiculadas na imprensa com queixas de agricultores de várias regiões sobre problemas apresentados pelas cisternas de plástico como deformações e aquecimento da água. As cisternas de plástico ou PVC estão sendo propostas pelo Ministério da Integração Nacional, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), do Governo Federal. Os agricultores não concordam com a substituição das cisternas de alvenaria pelas de plástico e alegam que, além de funcionar bem, as cisternas de placa trazem oportunidade de trabalho no campo com o emprego de pedreiros e a compra de material no comercio local, dinamizando a economia. Já as cisternas de plástico só beneficiam uma única grande empresa e é uma tecnologia que os agricultores não dominam.

Caminhada – Após a exposição, os participantes saíram em caminhada pela Avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade, organizados em alas que simbolizavam temas estratégicos de atuação da ASA e ameaças como a que simbolizou a “Agronegócio e Cultura da Morte”, que incluiu símbolos do agronegócio, dos transgênicos, dos agrotóxicos e das cisternas de plástico. Segurando faixas, cartazes, banners e produtos da agricultura familiar e acompanhados por um mini trio elétrico e um carro de som, com direito a carro “abre-alas”, os manifestantes distribuíram panfletos e dialogaram com a população através das alas do acesso à terra, da educação para a convivência com o semiárido, das sementes, da criação animal, dos pedreiros e das feiras agroecológicas, entre outras. Levando para a cidade uma demonstração da riqueza e das conquistas alcançadas pelo movimento de trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Grupo caminhou pela ruas de Campina Grande | Foto: Simone Benevides
A manifestação seguiu até a Praça da Bandeira onde uma feira de experiências com exposição de produtos, maquetes e distribuição de mudas foi montada. Um ato público trouxe depoimentos que resgataram momentos importantes da caminhada de 21 anos de luta da ASA Paraíba e apontaram seus desafios atuais. Rogéria Campos, da coordenação do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar, sediado em Soledade (PB), relembrou a conquista na luta pela afirmação do modelo das cisternas de placas como a tecnologia mais adaptada ao semiárido: “Em maio de 2013 recebemos um convite para compor um comitê gestor das cisternas de plástico no município. Fomos para ouvir, nos posicionamos contra e, com muita luta, conseguimos barrar esse projeto. Em dezembro do ano passado fomos surpreendidos com um novo convite. A gente se organizou e conseguiu pressionar o governo municipal para barrar pela segunda vez e varrer as cisternas de plástico de lá. É bom lembrar que Soledade foi o primeiro município a ter construída uma cisterna de placas na Paraíba, então seria uma vergonha pra nós, se fosse construído lá uma cisterna de plástico”, afirmou.

A programação foi encerrada com uma mística onde os manifestantes fizeram o “enterro simbólico” de uma cisterna de plástico. Os participantes então celebraram o êxito do evento com uma bonita ciranda. A mobilização contou com parceiros como: Núcleo de Extensão Rural e Agroecológica (NERA) e UEPB; e convidados como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Informe: Programe-se para as missas e celebrações da Semana Santa


 

Pela primeira vez, todas as celebrações do Tríduo Pascal e da Páscoa do Senhor realizadas no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba, serão exibidas ao vivo pelas emissoras de TV da Rede Evangelizar de Comunicação para todo o país. 
Acompanhe as celebrações:
  • Na Quinta-feira Santa, 17 de abril, Missa dos Santos Óleos celebrada pelo Arcebispo Dom Moacir José Vitti na Catedral Metropolitana de Curitiba será gravada pela TV Evangelizar e exibida em nossa programação a partir das 16h. Essa missa conta com a presença de todos os padres da Arquidiocese. Santa Ceia com a Missa de Lava-Pés às 20h.
  • Na Sexta-feira Santa, dia da Paixão do Senhor, 18 de abril, a procissão do Cristo Morto, a partir das 16h30.
  • No Sábado de Aleluia, 19 de abril, a Santa Missa da Vigília Pascal com a Bênção do Fogo e da Água e a renovação das promessas do Batismo às 20h. 
  • No Domingo de Páscoa, 20 de abril, a Santa Missa da Ressurreição de Jesus Cristo às 8h.

Assista nossa programação pelas parabólicas de todo o Brasil com receptor digital ou "ana/digi" pelo satélite C2 frequência 03652 MHz polaridade vertical S/R 02777. Além disso, acompanhe pelas TVs-irmãs e pelo nosso site.

Se você mora em Curitiba e Região Metropolitana e quiser acompanhar as celebrações no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, confira toda a programação no site.