quinta-feira, 31 de julho de 2014

Mensagem do Padre




Padre Reginaldo Manzotti - boletim informativo semanal

Filhos e filhas,

“É preciso ter mais coragem para fazer a paz do que para fazer a guerra” (Papa Francisco).
Essa frase, que o Papa Francisco proferiu durante o encontro com os presidentes israelita e palestino no início de junho deste ano, soa quase que como um desafio nos dias atuais, quando vemos e ouvimos conflitos com inúmeros mortos e feridos.
Na busca pela paz é preciso ter coragem, mas também é necessária a perseverança na oração. O Santo Padre, no Ângelus do dia 13 de julho, nos exortava que a oração não é em vão porque ela nos ajuda a não nos deixar vencer pelo mal nem nos resignar ao fato de que a violência e o ódio predominem sobre o diálogo e a reconciliação.
A busca pela paz entre as nações é fundamental. Mas estes dois elementos importantes na busca pela paz, coragem e perseverança na oração, pode também ser aplicado a nossa vida pessoal, na busca pela paz interior.
Infelizmente, o que mais percebo nos aconselhamentos que faço pelo rádio ou TV é que hoje estamos vivendo uma contínua e ansiosa sensação de estar constantemente atrasado ou de que sempre há algo mais a se fazer, mas sem saber ao certo aonde queremos chegar.
Facilmente desistimos de dar passos em direção ao que há de melhor dentro de nós porque muitas vezes buscamos no lugar errado. Sem a paz de Jesus, ninguém está satisfeito consigo mesmo. Buscamos a paz em todos os lugares, menos no pleno amor: Jesus Cristo. E com Ele, a nossa vitória é certa.
Na busca pela paz interior é preciso ter coragem de encarar nós mesmos com nossos defeitos e qualidades, nos enxergar como realmente somos. E coragem para começar a mudar o que realmente precisa ser modificado. E nesse caminho de mudança, a perseverança na oração não nos deixa perder a esperança.
Nesta mensagem, quando no domingo (03) celebramos a vocação sacerdotal – em virtude de São João Maria Vianney – gostaria também de fazer uma prece por todos os sacerdotes, aqueles que são “consagrados para ser, em nome de Cristo, pela palavra e pela graça de Deus, os pastores da Igreja” (CIC 1535). E que, muitas vezes, ajudam os fiéis na busca da paz interior.
Por isso, os convido a lembrarem de todos os sacerdotes que foram importantes ao longo de suas vidas e rezar por eles, que sejam santos e fervorosos sacerdotes.

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES

Senhor Jesus, presente no Santíssimo Sacramento do Altar, que Vos quisestes perpetuar entre nós por meio de vossos sacerdotes, fazei com que suas palavras sejam somente as vossas, que seus gestos sejam os vossos, que sua vida seja o fiel reflexo da vossa.
Que eles sejam os homens que falem a Deus dos homens e falem aos homens de Deus.
Que não tenham medo de servir, servindo a Igreja como ela quer ser servida.
Que sejam fiéis aos seus compromissos, zelosos de sua vocação e de sua entrega, claros reflexos da própria identidade e que vivam com alegria o dom recebido.
Tudo isso vos peço pela intercessão de vossa Mãe Santíssima: ela que esteve presente em vossa vida, esteja sempre presente na vida dos vossos sacerdotes.
Amém
Padre Reginaldo Manzotti



ASA BRASIL - INFORMA

Organizações promovem intercâmbio entre comunicadores/as populares
Equipe de Comunicação do Irpaa
25/07/2014
Comunicadores/as populares de várias organizações do Semiárido baiano trocaram experiências na área | Foto: Irpaa
“Trocando Saberes, Tecendo Redes” foi o tema do I Intercâmbio de Comunicação para Convivência com o Semiárido que aconteceu nos dias 22 e 23 de julho no Irpaa, em Juazeiro. O evento foi uma solicitação da equipe de Comunicação da Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido - Arcas, que há 20 anos atua na região de Cícero Dantas – BA. 
Outras instituições foram convidadas, a exemplo da Cooperativa de Trabalho e Assistência à Agricultura Familiar Sustentável do Piemonte (Cofaspi) e Associação Mantenedora da Escola Família Agrícola – (Efas), enviaram seus comunicadores. O encontro proporcionou a troca de experiências e conhecimento com o objetivo de fortalecer a luta pela Convivência com o Semiárido, desmistificando os preconceitos com esta região.
Antes de abordar a Comunicação, as/os participantes puderam conhecer um pouco sobre o trabalho dos eixos de atuação do Irpaa para em seguida analisar os contextos midiáticos em que o Semiárido vem sendo mostrado ao longo dos anos. Em seguida, a comunicação como direito humano e as estratégias e avanços no âmbito da mesma em prol da consolidação da proposta de Convivência com o Semiárido foi destaque. O Eixo Comunicação do Irpaa também apresentou como está organizada a comunicação, tomando por base o projeto político da instituição e em sua prática cotidiana.
Para Érica Daiane Costa, Coordenadora do Eixo de Comunicação, o intercâmbio teve resultado positivo. “Só pelo fato da procura da [equipe] Comunicação da Arcas para essa troca de experiências, foi positivo. Ficou evidente o interesse de vocês em contribuir com a Comunicação para a Convivência com o Semiárido, algo que o Irpaa vem apostando ao longo desses 25 anos” destaca.
As/os participantes pautam a importância da comunicação continuada nas instituições, da discussão da comunicação como direito e colocam suas perspectivas de realização de outros intercâmbios. Adriana Sá, comunicadora popular da Arcas, o Intercâmbio é importante para unificar o discurso sobre a Convivência com o Semiárido e o enfrentamento dos preconceitos regionais difundidos pela grande mídia. “Nós saímos com energias renovadas depois de um encontro desses. Nos dá um gás para chegar numa comunidade e ver outras possibilidades de comunicar”, concluiu Adriana.  
Além da parte teórica permeada de debate, o encontro abordou também  sobre linguagens de notícias para multimeios, com foco na maneira como as informações que as entidades distribuem pelos meios de comunicação, principalmente, rádio e internet, são percebidas por estes canais. A estrutura de produção radiofônica e o formato do Programa Viva bem no Sertão, produzido pelo Irpaa também foi apresentado ao grupo.
O Intercâmbio foi coordenado pelas/os comunicadores/as do Irpaa e faz parte das ações de Comunicação para mobilização social, uma das linhas de atuação do Eixo Comunicação.


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Sistematização: uma prática da ASA na construção de uma nova imagem do Semiárido
Diêgo Alves*, Kelly Cristina de Aquino* e Myrlene Pereira**
30/07/2014
A forma como o Semiárido sempre foi retratado pela grande mídia pouco representa a grande diversidade deste bioma e da vivência de seu povo. Menos ainda contribui para o protagonismo e avanço do povo sertanejo, disseminando estigmas e estereótipos, tais quais “flagelados da seca” ou “Vale da Miséria”, como adjetivos desta região para o mundo.
Há 15 anos, o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) vem contribuindo na formulação, execução e monitoramento de políticas públicas estruturadoras para o desenvolvimento do Semiárido. Com o objetivo de garantir a eficiência da implementação de tecnologias sociais populares de armazenamento de água de chuva e fortalecer a construção do conhecimento agroecológico e de novas relações neste bioma, a ASA percebeu a necessidade de desconstruir essa falsa imagem e mostrar a riqueza e potencial da região.
Daí a importância de comunicar os valores desta região de outros jeitos, de forma popular e alternativa, fazendo com que o povo falasse de si para o mundo e para si mesmo, construindo uma nova imagem sobre o Semiárido. Com isso, o processo de sistematizar experiências é uma prática da rede.
"Sistematizamos porque queremos dar visibilidade ao invisível", assegura Valquíria Lima | Foto: Adriana Noya
O processo de sistematização dentro da ASA surge para dar visibilidade às muitas histórias invisibilizadas existentes no Semiárido brasileiro. Essas histórias de mulheres e homens que sempre acreditaram em seu território e resistem às adversidades sempre experimentando novos caminhos e possibilidades. “Esse processo de sistematizar as histórias invisíveis se torna um contraponto das políticas hegemônicas de combate à seca, que têm a contribuição decisiva dos meios de comunicação e do olhar sobre o Semiárido de uma falsa ideia, há séculos trabalhado, de um lugar da negação, da pobreza e dos deserdados. Sistematizamos porque queremos dar visibilidade ao invisível, porque as lutas, resistências e experimentação dos povos do Semiárido nos fazem olhar esse território com a lente da capacidade de seu povo de inovar e criar alternativas para conviver com as condições de semiaridez da região”, diz Valquíria Lima, coordenadora executiva da ASA pelo estado de Minas Gerais.
Com isso, o processo da sistematização da ASA vem se consolidando como uma importante ferramenta de mobilização de pessoas, das vontades, das lutas e das resistências dos povos do Semiárido. Ele reflete os valores e a concepção de comunicação como um processo de interação entre as pessoas, reconhecendo no outro potenciais, valores, dos saberes, das experiências. Uma comunicação que nasce do concreto, do real, que acontece a partir das vidas das pessoas e das relações que elas estabelecem com seu espaço, seu territórios, seus grupos sociais. “Já são mais de mil histórias que foram
Agricultora passando a vista no boletim O Candeeiro | Foto: Mayara Albuquerque
sistematizadas através do boletim O Candeeiro. Cada vez mais precisamos fazer com que a rede reflita sobre esse processo e como o fazê-lo que não seja para, mas seja com. Que respeite a história de vida das pessoas, como elas se reconhecem e como elas querem contar suas próprias histórias de vida e do seu lugar”, explica Valquíria.
Os agricultores e as agricultoras sempre foram os grandes protagonistas da comunicação da ASA. “É no corpo a corpo que a gente se encanta, amolece o coração e se contagia com tamanha sabedoria escondida, se inspira e se debruça para tentar traduzir toda essa riqueza em palavras simples para eternizar e gritar para mundo, para que mais pessoas tenham a oportunidade de ouvir, sentir, descobrir tudo aquilo que estamos conhecendo”, conta Helen Borborema, comunicadora popular e integrante da Rede de Comunicadores Populares do Semiárido Mineiro sobre o processo de sistematização.
Para o agricultor Valdivino Rodrigues Gouveia, da comunidade Córrego das Cancelas, município de Grão Mogol, em Minas Gerais, o acompanhamento do comunicador ou da comunicadora popular é fundamental para dar visibilidade às lutas das comunidades tradicionais do Semiárido. “Acho importante o trabalho do comunicador porque eles podem nos ouvir, passar para o papel as nossas lutas, as nossas dificuldades. Na minha região, por exemplo, precisamos denunciar o avanço do agronegócio, a importância de preservar a natureza”, afirma.   
Oficinas de Sistematização – Para amadurecer e fortalecer esse debate, os diversos coletivos estaduais que compõem à ASA estão realizando oficinas de sistematização no decorrer deste ano. Já foram realizaram oficinas nos estados do Ceará, na região sisaleira da Bahia e em Minas Gerais. Na Paraíba, a oficina está acontecendo nesta semana. Sergipe, Alagoas e Piauí serão os próximos estados a debater o tema. Em Minas Gerais, a oficina aconteceu nos últimos dias 8 a 10 de julho, em Itinga, no Vale do Jequitinhonha, na comunidade Caldeirão. Com a participação de comunicadores e comunicadoras populares, animadores sociais, coordenadores dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e agricultores e agricultoras familiares. Na atividade, a trajetória do processo de sistematização da rede foi resgatada para impulsionar e fortalecer as ações de comunicação no Semiárido. A realização das oficinas tem um grande papel na dinâmica de sistematização da rede.
Os diálogos foram em torno da construção do processo de sistematização e comunicação popular que envolve o processo de compreensão e sensibilidade de todos os atores sociais que convivem com o Semiárido. Dessa forma, mais que registrar as histórias, a sistematização pode sim fazer da comunicação espaço para denúncia, anúncio e formação política. “Para além de sistematizar é também necessário refletir o comunicar, o mobilizar, o convocar as pessoas, os lugares e as vontades. Estamos em processo de amadurecimento dessa rede de comunicadores e comunicadoras do Semiárido brasileiro, sistematizando a nossa política de comunicação, nos voltando para a luta da comunicação como um direito humano. A comunicação que fazemos é focada no sentimento de pertencimento das pessoas, das organizações, das causas e das lutas da ASA e dos povos do Semiárido”, conclui Valquíria.

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Movimento dos Atingidos e Atingidas pela Construção da Barra de Oiticica suspende ocupação do canteiro de obra
Barracão da luta e resistência
Seridó Potiguar
29/07/2014
O Movimento dos Atingidos e Atingidas pela Construção da Barragem de Oiticica comunica aos governos nos três níveis da federação e a sociedade seridoense e potiguar a suspensão da ocupação do canteiro no município de Jucurutu de acordo os seguintes fatos:
1- Na última sexta-feira (25) o Governo Federal, através do DNOCS, representado pelo senhor Walter Gomes de Sousa - diretor geral do órgão e o Governo do Estado, através da SEMARH, representado pelo senhor Luciano Cavalcanti Xavier, secretário de estado, estiveram presentes no barracão da luta e resistência onde apresentaram e assinaram termo de compromisso concernente ao plano de trabalho com seu respectivo orçamento e cronograma de desembolso físico-financeiro atendendo a construção da nova Barra de Santana, pagamento de todas as indenizações, implantação habitacional para os sem tetos de Barra de Santana, agrovilas para os sem terra da bacia hidráulica da barragem, conforme carta  do movimento ao governo federal.

2- Governos e movimento negociaram e acordaram no termo de compromisso o seguinte cronograma físico-financeiro; a) As negociações e pagamentos das indenizações dos 772 cadastros de agricultores até 20 de dezembro de 2014 com recursos previstos e garantidos no valor de R$ 26.000.000,00(vinte e seis milhões). Na proposta original a previsão era apenas de R$ 8.000.000,00( oito milhões de reais), ou seja, as indenizações não seriam 100% pagas; b) A nova Barra de Santana com 225 famílias iniciará o processo de desmatamento, terraplenagem, projetos, licenças, licitação e inicio da obra em novembro de 2014 e a conclusão  em julho de 2015. Os recursos previstos e garantidos são na ordem de R$ 26.220.000,00(Vinte e seis milhões duzentos e vinte mil reais). Na proposta original a previsão era apenas de R$ 11. 500.000,00( onze milhões e quinhentos mil reais), ou seja, a nova Barra de Santana não seria concluída; c) Reassentamento rural para os sem terra com a implantação de 03 agrovilas nos municípios de Jucurutu, São Fernando e Jardim de Piranhas para assentar 176 famílias com início do projeto em janeiro de 2012 e recursos previstos e garantidos na ordem de R$ 7.216.000.00(sete milhões duzentos e dezesseis mil reais). No projeto original não existia previsão desta ação de justiça social; d) Implantação de um programa habitacional para 50 famílias moradores da atual Barra de Santana que não possuem casa própria. O início das obras com previsão para janeiro de 2015. Os recursos estão garantidos pelo governo federal e estadual, porém o valor orçamentário ainda depende da planta, tamanho e tipologia das casas que serão providenciados pelos citados órgãos gestores. No projeto original não estava previsto esta ação de direitos e dignidade humana.

3- No termo de compromisso ficou acordado que o fechamento do maciço central da Barragem de Oiticica no trecho da calha principal do rio, só ocorrerá quando todas as ações de indenizações e reassentamentos estiverem finalizadas. 

4- Para o exercício 2014 o governo federal e estadual garantiu no termo de compromisso para as ações 2014 a disponibilidade de R$ 55.000.000,00 distribuído da seguinte forma: 1) Obras/Supervisão- R$ 27.000.000,00; 2) Reassentamento Urbano-R$ 2000.000,00; 3) Indenizações-R$ 26.000.000,00.

5- Em função das negociações acima explicitadas, o movimento em plenária realizada na última sexta-feira (25) deliberou pela suspensão imediata da ocupação do canteiro de obra e paralisação da obra física da barragem de oiticica que já duravam 70 dias. Deliberou também que o barracão da luta e resistência será desmontado, porém o movimento não acabou, pois, seu fim só se dará com  a obra humana e física da barragem  realizadas.
5-Por fim o movimento por unanimidade acordou que o termo de compromisso será acompanhado e monitorado sistematicamente com reuniões de avaliações a cada 08 dias na capela de Barra de Santana e se no período de 60 dias  os compromisso firmados não forem cumpridos de acordo com o cronograma físico  financeiro a obra será paralisada novamente.
Seguiremos juntos nos mobilizando e lutando por JUSTIÇA E DIREITOS e continuaremos em mobilização permanente com nosso o lema: Barragem de Oiticica sim! Injustiças não! Direitos já! No Ponta Pé não Sairemos.