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Ao ser visitada, a agricultora Mária de Fátima Fabiano da Silva (60) destacou a alegria de ter uma cisterna-calçadão no terreiro de casa e falou dos benefícios que a tecnologia trará para a família. “Graças a Deus, à Petrobras e à organização, minha família agora tem uma riqueza, que é esta cisterna”, afirmou. Depois de responder ao questionário e ser fotografada ao lado da tecnologia, a agricultora convidou a comitiva para um café. Durante a conversa, dona Maria de Fátima compartilhou um pouco do dia a dia e dos cuidados com o próximo. O coordenador do P1+2, que acompanha o município de Capoeiras, Edimílson Paulino, ressaltou a importância do trabalho das famílias. “A construção dessas tecnologias foi realizada em um período de intenso trabalho para esses agricultores e agricultoras, uma vez que o tempo é um fator importante neste processo de colheita do feijão, mas mesmo assim eles participaram das capacitações, estiveram juntos conosco durante todo o trabalho. Eles são os grandes protagonistas dessa história”, disse. As tecnologias visitadas são as primeiras implementações concluídas do P1+2 com patrocínio da Petrobras, através do trabalho desenvolvido pela Cáritas, naquela região. As ações de cadastro, capacitação e construção foram iniciadas em maio deste ano. |
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Comitiva da Petrobras visita tecnologias concluídas pela ASA em PE
O valor das sementes crioulas
| entrevista com Flávia Londres | ||
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Asacom - Podemos contar a história da humanidade a partir da relação do homem e da mulher com as sementes? Flávia Londres - A história das civilizações está profundamente ligada à história do homem e da mulher com a seleção de sementes e a prática da agricultura. Essa relação ela teve origem há cerca de 12 mil anos. As pessoas começaram a perceber que podiam cultivar as plantas, plantar as sementes, selecionar aquelas plantas de mais interesse. Esse processo vem se desenvolvendo ao longo dos milênios e continua até hoje. Em todo o mundo, comunidades agricultoras selecionam e conservam sementes, realizando, safra após safra, o melhoramento das plantas a partir de variados critérios. Asacom - Quais as diferenças entre o melhoramento de sementes feito pelos/as agricultores/as e as realizadas pelos centros de pesquisa? Flávia Londres - O melhoramento genético realizado nos centros de pesquisa, tanto públicos como privados, busca criar variedades de alta produção, mas que para alcançarem seu potencial produtivo precisam ser manejadas nas chamadas “condições ótimas de cultivo”, que em geral são obtidas através da artificialização do meio com a correção do solo, a adubação química e a irrigação. E por serem extremamente homogêneas, essas lavouras tornam-se vulneráveis ao ataque de pragas e doenças, que são então combatidas com o uso de agrotóxicos. A seleção das variedades crioulas tradicionalmente realizada pelos agricultores familiares, ao contrário, não é focada somente na produtividade. Tomando-se como exemplo a cultura do milho, características como a produção de palha, importante para alimentação dos animais da propriedade, o porte das plantas e a espessura do colmo, que serve de sustentação para culturas trepadeiras cultivadas em consórcio, o fechamento das espigas, que protege os grãos do ataque de insetos durante o armazenamento, ou a resistência a períodos secos, podem ser tão ou mais importantes para os agricultores quanto a produtividade dos grãos. Características como o sabor ou o tempo de cozimento também são levadas em conta. O manejo da diversidade é outro componente importante desses sistemas, conferindo a eles maior segurança. Asacom - Podemos dizer que a desvalorização das sementes crioulas é uma das facetas da invisibilidade do Semiárido, das famílias agricultoras, das comunidades tradicionais? Flávia Londres - Isso não acontece só no Semiárido. Em outras regiões o processo de substituição das sementes crioulas pelas sementes comerciais foi até mais agressivo. A partir da década de 1960, foi implementada, no Brasil e em muitos outros países, uma série de medidas no sentido de difundir o pacote tecnológico da chamada “Revolução Verde”, baseada na utilização de sementes melhoradas, na mecanização, na irrigação e no uso intensivo de insumos químicos. Houve um esforço articulado para a difusão desse modelo, que envolveu universidades, centros de pesquisa, órgãos de extensão e políticas de crédito. Nesse processo estavam incluídas estratégias que buscavam a substituição das sementes tradicionais pelas sementes comerciais melhoradas. E até hoje predomina, tanto entre pesquisadores como entre gestores que elaboram e executam políticas públicas nessa área, a ideia de que as sementes crioulas são material de baixa qualidade. Há de fato uma desvalorização tanto das próprias sementes, como das estratégias comunitárias de conservação e gestão dos recursos genéticos locais. Asacom - Por que no Semiárido não foi tão violento. O que protegeu o Semiárido, de certa maneira, dessa invasão do pacote tecnológico? Flávia Londres - Em regiões onde o modelo de agricultura convencional se difundiu de forma mais generalizada, como no Sul e no Sudeste, as pressões para a substituição das sementes crioulas foi ainda maior do que no Semiárido. Muitas sementes tradicionais desapareceram, só existem na memória dos agricultores mais antigos. No Semiárido, esse processo talvez tenha sido um pouco menos intenso, pois os agricultores sabem que, sobretudo em função do regime irregular de chuvas, a segurança de suas lavouras depende do emprego de sementes altamente adaptadas, bem como do manejo de uma grande diversidade de espécies e variedades. Uma lavoura que não vinga porque foi plantada com uma semente não adaptada e não resistiu à seca pode representar a fome da família. É dessa sabedoria que vêm a tradição e o esforço das famílias e comunidades do Semiárido de conservar suas sementes locais, mesmo com toda a propaganda e a pressão pela sua substituição. A diversidade de variedades de sementes encontrada em comunidades rurais da região é impressionante. Apesar disso, a pressão pela substituição das sementes locais existe, e muitas variedades estão desaparecendo. Um exemplo nesse sentido são as políticas de distribuição de sementes que ignoram as variedades de sementes produzidas localmente e promovem a difusão de sementes comerciais aos agricultores familiares. Asacom - E com relação à resistência das famílias agricultoras, você acha que este fator conta também? Flávia Londres - Sim, outro aspecto fundamental relacionado à conservação das sementes locais pelas famílias e comunidades agricultoras está ligado à busca de autonomia: trata-se de ter sementes próprias para plantar quando a chuva chega, e não depender de semente do prefeito ou do patrão. Historicamente, as sementes estiveram ligadas a relações de poder, eram trocadas por votos, favores ou cedidas em relações de forte exploração, em troca de metade ou da terça parte da produção. A resistência e a organização das famílias agricultoras no Semiárido se desenvolveram, portanto, como uma forma de enfrentar essas dificuldades. Asacom - Quais as principais críticas ao modelo atual de distribuição de sementes adotado pelo governo federal e estaduais? Flávia Londres - A principal crítica feita pela sociedade civil organizada é o fato de essas políticas de distribuição de sementes, em geral, não reconhecerem o valor das sementes crioulas, a importância do seu uso para a segurança e a reprodução dos sistemas produtivos das comunidades rurais, e nem as estratégias coletivas de conservação, difusão e uso de sementes crioulas, que incluem os bancos de sementes comunitários, as redes de bancos, os sistemas de trocas, as feiras de sementes. Ao não reconhecerem o valor das sementes locais e das estratégias comunitárias de gestão, as políticas acabam sendo baseadas na distribuição individualizada de poucas variedades comerciais, melhoradas em centros de pesquisa e frequentemente pouco adaptadas às condições locais. Em alguns casos são distribuídas sementes híbridas, que sequer se prestarão ao plantio na safra seguinte à da distribuição, o que reforça a relação de dependência dos agricultores em relação ao insumo. Em outros casos são distribuídas sementes da Embrapa de polinização aberta – as sementes chamadas “varietais” ou “variedades”, que podem ser plantadas por sucessivas gerações sem perder suas qualidades e o potencial produtivo. Nesses casos, entretanto, distribuem-se poucas ou uma única variedade de milho e de feijão em regiões inteiras. Essa semente única que chega de fora acaba muitas vezes competindo com os esforços de conservação dos recursos genéticos locais, bem como desmobilizando as estratégias de organização comunitária para a conservação de sementes crioulas. Asacom - Isso acaba com toda a malha genética das sementes locais...Flávia Londres - Dependendo da forma como essa distribuição acontece na ponta, se não tem o trabalho de estimular os agricultores a continuarem guardando e conservando essas sementes, esse risco existe. Asacom - E agora com a atual grande seca, esse risco está mais iminente.Flávia Londres - Exatamente. Depois de tantos anos de seca, muitas famílias acabam perdendo as sementes que tinham. E as que recebem de fora substituem as que elas conservavam, podendo causar a perda de variedades de sementes. Asacom - Em outubro, a ASA realiza o 3º Encontro de Agricultores e Agricultoras Experimentadores e um dos temas a ser tratado é a semente crioula. Qual a importância de espaços como esse para discutir o nobre papel das famílias agricultoras de guardiães das sementes crioulas? Flávia Londres - É sempre muito importante aproveitar os espaços de formação para trazer essa questão. Existe uma tradição familiar e comunitária dos agricultores do Semiárido de conservar as sementes locais de geração para geração, até por uma questão de necessidade. Eles sabem que aquela semente vai produzir em ano de seca, que consegue resistir a uma condição específica. Esse trabalho de conservação tem uma série de dificuldades. Ele sofre pressão pelas sementes que chegam pelo governo, por todo um incentivo dele adotar outro modelo de produção. A conservação de sementes muitas vezes está isolado em pequenas comunidades, em famílias, e a articulação desses agricultores e a valorização do trabalho dos guardiões de sementes, que está invisibilizado, são fundamentais para a própria conservação dos recursos genéticos locais. E isso pode levar a um aumento de escala dessas sementes. |
DENUNCIA NA BR 232 - SENTIDO PESQUEIRA/SANHARÓ-PE
CONSTA NO CODIGO DE TRANSITO BRASILEIRO
Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor:
I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de
proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações aprovadas
pelo CONTRAN;
II - transportando passageiro sem o capacete de segurança, na forma
estabelecida no inciso anterior, ou fora do assento suplementar colocado
atrás do condutor ou em carro lateral;
III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma
roda;
IV - com os faróis apagados;
V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas
circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - Recolhimento do documento de
habilitação;
I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de
proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações aprovadas
pelo CONTRAN;
II - transportando passageiro sem o capacete de segurança, na forma
estabelecida no inciso anterior, ou fora do assento suplementar colocado
atrás do condutor ou em carro lateral;
III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma
roda;
IV - com os faróis apagados;
V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas
circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - Recolhimento do documento de
habilitação;
terça-feira, 27 de agosto de 2013
ASA celebra novas 20 mil cisternas de água para consumo humano no Semiárido Brasileiro
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O encontro, que começou ontem (20) e segue até esta próxima quinta-feira (22), objetiva avaliar e planejar as ações de implementação de cisternas de placas para captação e armazenamento de água para consumo humano, com o P1MC, na perspectiva de universalizar esse acesso no Semiárido, através da parceria entre a ASA e a Fundação Banco do Brasil. “A cisterna significa muito para os agricultores que não têm condição de estocar água e a ASA traz essa ação na perspectiva do estoque”, afirma Marcírio Lemos, integrante do Centro Terra Viva, uma das organizações da ASA que atua no Rio Grande do Norte. De abril de 2012 ao mês de junho deste ano, a parceria possibilitou a construção de 60 mil cisternas. Foram 42 organizações envolvidas, atuando em 95 municípios de nove estados da região semiárida. “Nós temos mais 60 mil famílias com cisternas que deixam de mendigar água, o que significa 300 mil pessoas a mais no Semiárido que têm seus direitos a água de qualidade respeitados. Isso é a perspectiva de uma construção de cidadania, de construção do Semiárido que nós da ASA defendemos e queremos ver efetivamente concretizado”, destaca Naidson Baptista, coordenador da ASA pelo estado da Bahia. No evento também foi anunciada a continuidade da parceria com a construção de mais 20 mil cisternas de placas. Serão 31 organizações envolvidas na execução das ações em 78 municípios do Semiárido. Em nove meses, cerca de 100 mil pessoas terão água de qualidade garantida para consumo humano, na porta de casa. “A Fundação Banco do Brasil é um parceiro estratégico para as ações da ASA e do P1MC. Esse momento de avaliação é um momento de reflexão sobre os principais aprendizados que tivemos nessa caminhada. E temos muito a comemorar, sobretudo agora com a assinatura dessa nova parceria”, afirma Jean Carlos, coordenador do P1MC. A ação da ASA com a Fundação Banco do Brasil prevê a universalização do acesso à água para consumo em alguns municípios da região semiárida. “Para nós do P1MC a universalização é a concretização do sonho do programa de legitimar esse direito de acesso à água, que é um direito fundamental. Para nós é um momento de bastante alegria”, concluiu. O assessor da Fundação Banco do Brasil, Eduardo Mesquita, destaca o modelo de gestão da ASA. “Nessa parceria, o principal ganho de fato foi da Fundação, e não somente das famílias, porque nós descobrimos uma estrutura fantástica com a ASA, com um poder de mobilização muito grande, uma estrutura de gestão muito democrática, uma estrutura de informação incrível. Nós creditamos essa celeridade ao modelo e gestão da ASA. Um modelo que nos surpreendeu”, afirmou. Eduardo pontuou também a prioridade de reforçar as cisternas de placas do P1MC. “O Programa Um Milhão de Cisternas vem na esteira daquilo que a Fundação vem construindo historicamente que é o apoio à replicação de tecnologias sociais. Quando nós fomos chamados para atuar no programa [Água Para Todos, do Governo Federal] foi colocada a possibilidade de utilizarmos o nosso recurso para fazermos cisternas de plástico e essa hipótese a Fundação rechaçou de imediato, por conta do nosso vínculo histórico com a tecnologia social”, disse. A iniciativa da parceria ASA e Fundação Banco do Brasil faz parte do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água – Água Para Todos, do Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal. P1MC – o Programa Um Milhão de Cisternas é uma das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido da ASA. Com o objetivo de garantir o acesso à água potável para beber e cozinhar a famílias de toda região semiárida, através das cisternas de placas, o P1MC já construiu mais de 400 mil cisternas, chegando a mais de dois milhões de pessoas. O programa vem atuando também com a implementação de cisternas nas escolas da região semiárida. Para a execução do programa, a ASA conta com a parceria também de pessoas físicas, empresas privadas, agências de cooperação e do governo federal. |
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