sábado, 20 de julho de 2013

Cáritas Diocesana de Pesqueira


INTERCÂMBIO INTERESTADUAL REALIZADO NOS DIAS 04 E 05 DE JULHO DE 2013
Dias 04 e 05 de julho a Diocese de Pesqueira participou do Intercâmbio Interestadual no município de Lagoa Seca-PB, onde foram recepcionados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
As famílias tiveram a oportunidade de conhecer experiência de produção coordenada pelo jovem Gilvan, onde o mesmo desenvolve sua produção ao redor da cisterna, criação de animal de pequeno porte e venda do excedente da produção em feira agroecológica. Na ocasião os participantes deram depoimentos sobre o desenvolvimento da agroecologia com o auxílio da água da chuva captada através das tecnologias sociais. Quem acompanhou o intercâmbio foi Roseilda Couto, Coordenadora do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). “O objetivo deste intercâmbio é despertar nas famílias a vontade de trabalhar de forma sustentável garantindo assim a segurança alimentar", disse Roseilda.
O grupo ainda visitou a outra experiência no município de Areial – PB, sendo foram recebidos pelo AS-PTA e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), onde tiveram oportunidade de conhecer a experiência do STR no fortalecimento da agricultura familiar do município, a repercussão das implementações do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) na vida das famílias e a importância de armazenar a semente criola –que são chamadas também de sementes da paixão. Na ocasião puderam trocar experiência com Maria Lúcia, que recebeu o grupo em sua propriedade, e falou da importância de zelar e desenvolver atividades através das implementações.
Na avaliação do intercâmbio as famílias reafirmaram o anseio de melhorar a qualidade de vida através da convivência com o Semiárido. E como encaminhamento cada um/a ficou com o compromisso de repassar para as outras famílias que não participaram desse momento, a experiência que aprenderam durante o intercâmbio e colocá-la em prática.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Simbolos da JMJ

A Cruz

A cruz da JMJ ficou conhecida por diversos nomes: Cruz do Ano Santo, Cruz do Jubileu, Cruz da JMJ, Cruz Peregrina, e muitos a chamam de Cruz dos Jovens porque ela foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens para que a levassem por todo o mundo, a todos os lugares e a todo tempo.

A cruz de madeira de 3,8 metros foi construída e colocada como símbolo da fé católica, perto do altar principal na Basílica de São Pedro durante o Ano Santo da Redenção (Semana Santa de 1983 à Semana Santa de 1984). No final daquele ano, depois de fechar a Porta Santa, o Papa João Paulo II deu essa cruz como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade. Quem a recebeu, em nome de toda a juventude, foram os jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço, em Roma. Estas foram as palavras do Papa naquela ocasião: “Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção” (Sua Santidade João Paulo II, Roma, 22 de abril de 1984).

Os jovens acolheram o desejo do Santo Padre. Desde 1984, a cruz da JMJ peregrinou pelo mundo, através da Europa, além da Cortina de Ferro, e para locais das Américas, Ásia, África e Austrália, estando presente em cada celebração internacional da Jornada Mundial da Juventude. Em 1994, a cruz começou um compromisso que, desde então, se tornou uma tradição: sua jornada anual pelas dioceses do país sede de cada JMJ internacional, como um meio de preparação espiritual para o grande evento.

O ÍCONE DE NOSSA SENHORA

Em 2003, o Papa João Paulo II deu aos jovens um segundo símbolo de fé para ser levado pelo mundo, acompanhando a cruz da JMJ: o ícone de Nossa Senhora, “Salus Populi Romani”, uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira e maior basílica para Maria a Mãe de Deus, no Ocidente, Santa Maria Maior. “Hoje eu confio a vocês... o ícone de Maria. De agora em diante, ele vai acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude, junto com a cruz. Contemplem a sua Mãe! Ele será um sinal da presença materna de Maria próxima aos jovens que são chamados, como o apóstolo João, a acolhê-la em suas vidas” (Roma, 18ª Jornada Mundial da Juventude, 2003).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ASA e Petrobras inauguram tecnologias de convivência com o Semiárido para produção de alimentos


Inauguração das primeiras tecnologias será no próximo dia 23, em Areia Branca (RN), Em um ano, a ação deve chegar a cerca de 100 mil pessoas.
Catarina de Angola e Verônica Pragana - ASACom
17/07/2013
A agricultora Francisca Gomes aguarda a cisterna-calçadão para seu canteiro de hortas. | Foto: Ylka Oliveira
A família de dona Francisca Gomes e seu José Gomes, da comunidade de Canto do Amaro, zona rural de Areia Branca, município do Rio Grande do Norte, aguarda com ansiedade a construção de uma cisterna-calçadão na sua propriedade. Através da tecnologia, dona Francisca vai conseguir fazer seu canteiro de hortas, uma ideia que tinha ficado de lado por conta da falta de água.

Na mesma comunidade, a cisterna-enxurrada, construída na propriedade de Maria de Lourdes Nunes e seu Antônio Pinheiro da Costa, o seu Totonho, vai garantir a família o roçado de milho e feijão e a plantação de batata doce, jerimum e melancia, além de água para os animais. Já o barreiro-trincheira vai acumular água para a família de Francisca Santiago, a dona Tica, e Antônio Ferreira, mais conhecido como Toinho de Tica, fortalecer a produção de plantas forrageiras como sorgo, capim e cana-de-açúcar, que alimentam os animais.

As tecnologias destas três famílias fazem parte de um contrato de patrocínio entre a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Petrobras, através do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. O contrato permitirá a construção de 20 mil tecnologias sociais de captação de água da chuva para a produção de alimentos, por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). A inauguração dessas implementações acontecerá no próximo dia 23, a partir das 8h, na própria comunidade, em uma cerimônia que contará com a presença de representantes da ASA, da presidenta da Petrobras, Graça Foster, e do secretário de Segurança Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos.

O evento contará também com um ato público com a presença de cerca de 1.200 agricultores e agricultoras dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, e uma Feira de Saberes e Sabores com produtos da agricultura familiar. “O prazer é tão grande que a gente tem o compromisso de fazer a continuação do projeto e ainda mais de receber as pessoas para ver a minha parte feita”, comenta dona Tica.

Para o coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, Naidison Baptista, realizar o evento com a participação dos agricultores e agricultoras é reconhecer o protagonismo deles e delas na implementação dessas ações. “A metodologia da ASA olha os agricultores e as agricultoras como sujeitos do processo. As organizações da ASA não estão beneficiando ninguém. Estamos criando condições para que as pessoas tenham acesso aos seus direitos. Fazer o lançamento na comunidade, com a presença dos agricultores e agricultoras, na casa das famílias, é muito importante, pois poderemos ver na prática a importância e o significado dessas tecnologias”, afirma Baptista.

A construção das 20 mil tecnologias irá chegar a cerca de 100 mil pessoas espalhadas desde o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, até o Piauí, passando por todos os demais estados do Nordeste. “As famílias que vão participar desse processo não vão mais enfrentar fila para buscar água, não vão trocar mais seu voto por água, não vão mais morrer por falta de água, pois elas terão estoque de água perto da sua casa. A família que estoca convive mais facilmente com a realidade do Semiárido e esse contrato com a Petrobras vai permitir que 20 mil famílias do Semiárido aumentem sua capacidade de estoque de água para a produção”, reforça Naidison.

O contrato com a Petrobras vai investir pouco mais de R$ 199 milhões na implementação de quatro tipos de tecnologias sociais (cisterna-calçadão, cisterna enxurrada, barreiro trincheira e barragem subterrânea) e também em ações que fortalecem o estoque de sementes crioulas e na multiplicação e plantio de mudas de plantas nativas da região, assim como em capacitações de famílias em gestão de água para produção de alimentos e em cursos para pedreiros e pedreiras.

Números  - Hoje, já existem pouco mais de 18 mil tecnologias que captam e armazenam água da chuva para a produção de alimentos e criação de animais, construídas através do P1+2 em todo o Semiárido brasileiro. Com esta malha hídrica descentralizada, cerca de 94 mil pessoas têm em suas propriedades condições mais adequadas de viver e produzir na região onde a chuva é centralizada entre três e quatro meses do ano.

Presidenta do Consea analisa avanços e desafios para garantia da soberania e segurança alimentar no Brasil

Catarina de Angola - ASACom
Recife - PE
17/07/2013
Maria Emília esteve no Recife para participar de conversa sobre segurança alimentar| Foto: Catarina de Angola 
No último dia 08, Maria Emília Pacheco, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) esteve no Recife para participar das comemorações dos 20 anos da organização Centro Sabiá. Na conversa, Maria Emília refletiu, junto com os presentes, sobre o contexto brasileiro na busca da garantia da soberania e segurança alimentar. Ela destacou avanços e dificuldades dessa luta, no contexto urbano e rural, e que perspectivas são colocadas para as populações tradicionais, que segundo ela estão “cada vez mais encurraladas pelo agronegócio”. Na entrevista abaixo, ela fala sobre os temas abordados no evento e destaca a importância do Consea.

ASACom – Maria Emília, você destacou que, de certa forma, o Brasil vem passando por uma transformação no contexto alimentar. Percebemos que nos últimos 11 anos, o governo tem investido em políticas e ações que visam acabar com a fome e garantir a segurança alimentar da população. No entanto, o sistema alimentar brasileiro ainda está concentrado nas mãos de algumas empresas que controlam as sementes e reforçam agrotóxicos e transgênicos. Por que é tão difícil mudarmos esse contexto?

Maria Emília Pacheco – Esse é um caminho escolhido pelo Brasil. Eu diria até que é uma expressão de lutas de classe. Existem forças hegemônicas que conduzem essa história e esse modelo, que reflete hoje as mudanças históricas pelas quais o País foi passando. Nós também não podemos perder de vista que o impulso a esse modelo agrícola vem de décadas. Ele foi se aprofundando e existem hoje novas formas de valorização do capital, de apropriação da natureza que tornaram mais agudos os conflitos. Nós vimos aqui que há um tempo não existia sobre os povos tradicionais a pressão sobre os territórios da maneira que existe hoje. O Brasil foi incorporando cada vez mais esse padrão, que é dito desenvolvimento. Isso não significa que historicamente não tenha havido forças de embate, que se contrapõem a isso. A existência no Brasil hoje de inúmeras experiências agroecológicas, a existência no Semiárido de uma proposta que é da convivência são expressões da resistência.  No Semiárido, estávamos poucos anos atrás falando na indústria da seca, no combate à seca. Diria até que essa mudança da perspectiva de convivência com o Semiárido dialoga com a construção da proposta agroecológica na região e isso é uma manifestação de resistência. O campesinato continua resistindo, criando e recriando formas de resistência, inovando nas suas práticas e isso é extremamente importante e estimulador dos processos. A gente não pode perder de vista a leitura dessas dinâmicas que se contrapõem e que ao mesmo tempo em que negam o modelo dominante, afirmam outras propostas.
ASACom – O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi reimplantado em 2003, e hoje você está na presidência. Que avaliação você faz desses 10 anos do Consea?

Maria Emília – A recriação do Consea foi muito importante e tem sido cada vez mais um lugar de concertação entre a sociedade e o governo. O lugar da expressão crítica também. Quando necessário denunciamos. Mas também valorizamos iniciativas importantes, fazemos sugestões de novas políticas. É o lugar da combinação desses vários papéis. É um espaço democrático e esses espaços são fundamentais na construção de uma sociedade que quer, no final das contas, ter o direito à alimentação garantido, uma alimentação de qualidade. E algumas conquistas a gente podia mencionar. Nesse espaço de 10 anos, nós temos uma Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. Temos as conferências que definiram diretrizes, que hoje estão consubstanciadas na política de segurança alimentar que é bem ampla e tem várias diretrizes. Temos alguns exemplos muito concretos de programas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que nasceu no Consea, em 2003. E o Consea tem sido sistematicamente o lugar de monitoramento desse programa. A Lei de Alimentação Escolar foi discutida também no conselho. Os aspectos que tornam a lei universal, incluindo a valorização do produto regional no cardápio, além da compra dos 30% da agricultura familiar são aspectos que dão para essa lei um sentido mais amplo, porque a alimentação escolar já existia, mas ganha outro sentido a partir da lei. Também finalizamos e, já foi encaminhado ao governo, uma proposta de política de abastecimento alimentar. Isso vem sendo debatido desde 2005, e finalmente no ano passado formulamos uma proposta de Projeto de Lei que está no Executivo.

O Consea produziu um sistema de análise com indicadores sobre segurança alimentar muito importante, com a participação ativa de universidades, em diálogo também com o Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], e isso nos dá uma indicação de como nos pautar no monitoramento de políticas. O debate, por exemplo, sobre a convivência com o Semiárido permitiu que a gente aprofundasse o sentido das propostas que uma articulação tão importante como a ASA [Articulação no Semiárido Brasileiro] vem construindo historicamente com as populações. O último debate foi duro, porque fomos bem incisivos na crítica às cisternas de polietileno. Também insistimos nesse debate com o governo sobre a importância que é uma articulação como a ASA ter o reconhecimento do governo e desenvolver esse trabalho, que não tem o sentido de implantar uma tecnologia, mas é um trabalho sociopolítico, educativo, baseado no fortalecimento do tecido associativo nessas comunidades. E cada vez mais a ASA vem dialogando com a proposta agroecológica, cimentando essa visão com o Programa Uma Terra e Duas Águas [P1+2] e mais recentemente com o debate das sementes.
ASACom -Você citou as sementes e elas também remetem a populações tradicionais. E os índices de subnutrição permanecem ruins entre essas populações. O que o governo deve fazer para mudar essa realidade? 

Maria Emília – Primeiro precisa assegurar o direito ao território dessas populações. Existe um decreto de número 6040, que eu nunca esqueço o número de tão importante que é, porque ele reconhece e dá visibilidade a essas populações. Mas é preciso serem asseguradas políticas específicas. Os indígenas continuam lutando lá no Consea, e nós temos apoiado, para que haja renovação de um programa que se chama Carteira Indígena, em que os recursos eram repassados diretamente para os povos indígenas e aplicados em projetos específicos nos seus locais de vida. Eles precisam ter a garantia do território, as políticas têm que ter esse olhar pluriétnico. Não podemos em um Brasil tão diverso, e com essas populações com suas particularidades, ter política universal achando que vai chegar da mesma maneira em todos os biomas, para todas as populações. É necessário assegurar essa diferença. Por exemplo, as cestas de alimentos que os indígenas e quilombolas ainda recebem muitas vezes contêm alimentos de forma totalmente inapropriada aos seus costumes, aos seus hábitos alimentares. Dizemos no Consea que as políticas precisam ser olhadas da visão do etnodesenvolvimento. Então é preciso mergulhar um pouco mais nessas realidades, dialogar com os saberes dessas populações, com suas práticas. Nós temos uma dificuldade a meu ver, no Brasil, de lidar com essas diferenças, de entender que precisamos tirar partido dessa sociobiodiversidade que é construída pelas populações. E as políticas têm que levar em conta isso. Lamentavelmente nem sempre isso é considerado e a luta continua.
ASACom – A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu, em um relatório no final de 2010, que a agroecologia é uma estratégia importante para combater a fome no mundo. No seu ponto de vista por que a agroecologia é apontada como modelo adequado para o desenvolvimento da agricultura do País?

Maria Emília – Em primeiro lugar porque a história da agroecologia é baseada na própria leitura dos sistemas tradicionais. Ela não faz uma recusa, vai se construindo nesse diálogo com os sistemas tradicionais e vai criando e definindo princípios, que eu diria que são princípios que buscam harmonizar e equilibrar a relação com a natureza e não produzir contra a natureza. Porque a agricultura dominante no Brasil hoje nega a natureza. Depois, a agroecologia ao respeitar essas várias formas de saber, permite que o princípio da diversidade tenha uma base de realidade, porque estamos falando da policultura. Os sistemas camponeses são policultores na sua história. Você vai a qualquer canto no Brasil em todos os biomas e vai observar sempre que o camponês tem em volta da casa frutíferas, flores, verduras, ervas medicinais... A agroecologia no Brasil tem a característica de movimento social, ciência e prática social, acho que isso é bem peculiar, porque não é igual em todos os países. E ao se caracterizar como movimento, sua construção se baseia nesse diálogo e também na capacidade de fazer a leitura dessas resistências, como elas se manifestam nos territórios e entender que ela não se baseia nem se resume a uma dimensão tecnológica, como muita gente acha. Ela articula também o aspecto econômico e social. E há indicações claras do ponto de vista econômico de que a produção de base agroecológica tem um rendimento, mas não é uma produção cujo princípio organizador seja o mercado. Essa produção vai ao mercado, evidentemente, mas é pensada do ponto de vista do autoconsumo, da qualidade, da segurança alimentar. Por isso é mais complexa, pode atender mais as necessidades alimentares do mundo, porque não agride o meio ambiente e está voltada para atender os princípios da segurança e da soberania alimentar.