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| A concentração aconteceu em frente ao Teatro Municipal Severino Cabral | Foto: Simone Benevides |
Cerca de 1.200 pessoas participaram, em Campina Grande (PB), no último
dia 28 de março, da “Mobilização pelo acesso à água de qualidade como um
direito de todos”, realizada pela Articulação do Semiárido Paraibano
(ASA Paraíba), em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de
março. O objetivo da atividade foi ainda o de celebrar as conquistas dos
21 anos de atuação da ASA Paraíba no seu trabalho de construção de um
projeto de convivência com o semiárido, baseado na agricultura familiar
de base agroecológica. A celebração é especialmente a partir da política
de acesso a reservatórios de água, como as cisternas de placas, além do
processo de formação voltado para o manejo sustentável desse recurso
natural.
A programação teve início às 8h da manhã, quando as caravanas chegaram
das regiões do Alto e Médio Sertão, Cariri, Curimataú, Brejo, Agreste e
Seridó se concentraram no interior do Teatro Municipal Severino Cabral. O
grupo de tradições folclóricas Acauã da Serra animou a chegada dos
participantes com músicas emblemáticas da região nordeste e da cultura
sertaneja, com o autêntico forró pé de serra. Em seguida foi apresentada
uma peça de teatro que mostrou de que forma a chegada da cisterna vem
revolucionando a vida no semiárido e como é feito o processo de
mobilização e envolvimento das famílias agricultoras.
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| Luciano Silveira fez um resgate histórico da luta pela convivência com o Semiárido | Foto: Simone Benevides |
Exposição – Ainda dentro do teatro houve a exposição feita por
Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, uma das
300 entidades que faz parte da ASA Paraíba presentes em mais de 160
municípios paraibanos. Luciano fez uma apresentação da região semiárida
brasileira, área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados
onde vivem pero de 2 milhões de famílias agricultoras. Em seguida trouxe
um resgate histórico das secas na região e do cenário de calamidade,
subordinação e dependência das famílias no acesso à terra, à água e as
sementes e as soluções apresentadas pelos governos da época de “combate à
seca”. Ele relembrou a ocupação da Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste (SUDENE) em 1993 que deu origem a Articulação do Semiárido
Paraibano e que significou um marco na luta pela autonomia dos
agricultores e agricultoras da região. Falou ainda do processo de
criação do Programa Um Milhão de Cisternas, da ASA e atualmente
executado com recursos do Governo Federal, por meio da parceria com o
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que já
construiu mais de 600 mil cisternas em todo o semiárido brasileiro.
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| Atividades apresentaram problemas das cisternas de placas | Foto: Simone Benevides |
Cisternas de plástico – Ao final da exposição foram exibidas
matérias veiculadas na imprensa com queixas de agricultores de várias
regiões sobre problemas apresentados pelas cisternas de plástico como
deformações e aquecimento da água. As cisternas de plástico ou PVC estão
sendo propostas pelo Ministério da Integração Nacional, por meio do
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), do Governo
Federal. Os agricultores não concordam com a substituição das cisternas
de alvenaria pelas de plástico e alegam que, além de funcionar bem, as
cisternas de placa trazem oportunidade de trabalho no campo com o
emprego de pedreiros e a compra de material no comercio local,
dinamizando a economia. Já as cisternas de plástico só beneficiam uma
única grande empresa e é uma tecnologia que os agricultores não dominam.
Caminhada – Após a exposição, os participantes saíram
em caminhada pela Avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade,
organizados em alas que simbolizavam temas estratégicos de atuação da
ASA e ameaças como a que simbolizou a “Agronegócio e Cultura da Morte”,
que incluiu símbolos do agronegócio, dos transgênicos, dos agrotóxicos e
das cisternas de plástico. Segurando faixas, cartazes, banners e
produtos da agricultura familiar e acompanhados por um mini trio
elétrico e um carro de som, com direito a carro “abre-alas”, os
manifestantes distribuíram panfletos e dialogaram com a população
através das alas do acesso à terra, da educação para a convivência com o
semiárido, das sementes, da criação animal, dos pedreiros e das feiras
agroecológicas, entre outras. Levando para a cidade uma demonstração da
riqueza e das conquistas alcançadas pelo movimento de trabalhadores e
trabalhadoras rurais.
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| Grupo caminhou pela ruas de Campina Grande | Foto: Simone Benevides |
A manifestação seguiu até a Praça da Bandeira onde uma feira de
experiências com exposição de produtos, maquetes e distribuição de mudas
foi montada. Um ato público trouxe depoimentos que resgataram momentos
importantes da caminhada de 21 anos de luta da ASA Paraíba e apontaram
seus desafios atuais. Rogéria Campos, da coordenação do Coletivo das
Organizações da Agricultura Familiar, sediado em Soledade (PB),
relembrou a conquista na luta pela afirmação do modelo das cisternas de
placas como a tecnologia mais adaptada ao semiárido: “Em maio de 2013
recebemos um convite para compor um comitê gestor das cisternas de
plástico no município. Fomos para ouvir, nos posicionamos contra e, com
muita luta, conseguimos barrar esse projeto. Em dezembro do ano passado
fomos surpreendidos com um novo convite. A gente se organizou e
conseguiu pressionar o governo municipal para barrar pela segunda vez e
varrer as cisternas de plástico de lá. É bom lembrar que Soledade foi o
primeiro município a ter construída uma cisterna de placas na Paraíba,
então seria uma vergonha pra nós, se fosse construído lá uma cisterna de
plástico”, afirmou.
A programação foi encerrada com uma mística onde os manifestantes
fizeram o “enterro simbólico” de uma cisterna de plástico. Os
participantes então celebraram o êxito do evento com uma bonita ciranda.
A mobilização contou com parceiros como: Núcleo de Extensão Rural e
Agroecológica (NERA) e UEPB; e convidados como o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). |
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