| ||
De acordo com Eugênio Ferrari, do Núcleo Executivo da ANA e da equipe técnica do CTA-ZM, será a primeira caravana na região e a expectativa é envolver mais organizações e movimentos na dinâmica regional de construção da agroecologia já existente. Há mais de 20 anos, segundo ele, vem sendo desenvolvidas experiências agroecológicas na região. Elas se multiplicaram, complementa Ferrari, e foi percebida a necessidade de buscar mais articulação e intercâmbio entre elas.
“Esse trabalho resultou numa diversidade muito grande, que nós mesmos não temos conhecimento de todas as experiências. Estamos em contato com alguns grupos, e com essa caravana vamos juntar esse povo: pensar uma forma de ação mais conjunta, e dar visibilidade a isso na região. Haverá vários momentos de visibilização pública da agroecologia”, afirmou. A caravana vai passar por experiências agroecológicas, ou situações de conflito que impedem a ampliação da agroecologia na região, como o uso intensivo de agrotóxicos e a mineração de bauxita, por exemplo. A participação de agricultores, técnicos e movimentos de outras regiões também será muito importante, pois vai ajudar às pessoas da zona da mata a refletir sobre suas próprias experiências. O intercâmbio cultural também é um dos propósitos da caravana. Será possível perceber como desde as pequenas propriedades são criadas importantes redes econômicas, que contribuem muito para o desenvolvimento local. A visita também permitirá avaliar o contexto da agricultura e do desenvolvimento rural no Brasil e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, cujo decreto foi assinado pela Presidência da República em agosto de 2012. Na visão do agricultor Sebastião Estevão, morador de Espera Feliz (MG), é esperado com a caravana que sejam abertas novas portas e o governo dê mais valor às experiências da região. As escolas, exemplificou, estão começando a colocar a agroecologia em aula e é muito importante ensinar às crianças essa relação harmônica com a natureza na prática e não só nos livros. “Temos uma expectativa grande com a participação de técnicos da região, o evento será aberto, vamos buscar as pessoas, haverá também gestores públicos, além de um encerramento cultural. E a agroecologia me dá inspiração para esse cuidado com a natureza, essa relação saudável e harmônica com o que ela oferece e o nosso trabalho. Com a caravana esperarmos uma sensibilização maior das autoridades com as nossas iniciativas”, destacou. Ele planta café, feijão e milho, além de hortaliças e a criação de pequenos animais, dentre outras produções, e participa ativamente no sindicato de trabalhadores rurais. Foi um dos protagonistas em Espera Feliz na luta contra o uso de agrotóxicos na década de 90, fazendo pressão no poder público e mobilizando os agricultores. A cada dois meses, explicou, ocorre um intercâmbio entre diversas comunidades da região, com uma produção extremamente diversificada. Trajeto da Caravana A Caravana, promovida pela ANA, partirá da sede do CTA para três roteiros distintos. Araponga, Divino e Muriaé serão algumas das cidades visitadas. O destino final será o município de Espera Feliz, onde haverá um ato público com exposição de organizações da ANA e do governo, e estarão reunidos representantes de organizações de agricultores e agricultoras, profissionais das áreas de educação e saúde, militantes da segurança alimentar e nutricional e de movimentos sociais urbanos. O encerramento da caravana será no dia 24, na sede do Parque Nacional do Caparaó. Até o encerramento no Parque Nacional do Caparaó estão previstas apresentações culturais, como grupos de congadas e folia de reis, além de contadores e outros artistas, e conversas com as comunidades, visitas a propriedades agroecológicas e distribuição de material informativo. Rodas de capoeira, samba, debates, e visitas a parques ecológicos também estão na programação. Esta caravana é a primeira de uma série, em todo o país, realizada também como preparação ao III Encontro Nacional de Agroecologia, previsto para o primeiro semestre de 2014. Encontro Nacional de Agroecologia Após o I Encontro Nacional de Agroecologia, no Rio de Janeiro, em 2002, foi criada a ANA. O ENA é um momento de culminância do processo de mobilização dos agricultores e organizações que trabalham na promoção da agroecologia em todo o Brasil. Celebração, troca de experiências, apresentação para a sociedade e governos das inquietações e propostas do movimento agroecológico, são questões abordados nos encontros.Se o primeiro encontro serviu para mapear as experiências que estavam dispersas Brasil afora, o II ENA, que ocorreu em 2006, em Recife, foi o momento de consolidação e apresentação das propostas que a ANA tem para que as políticas públicas incorporem o enfoque agroecológico. De acordo com Denis Monteiro, secretário executivo da ANA, o III ENA será um momento de apresentar a agroecologia como proposta para o desenvolvimento da agricultura no Brasil. “Temos a clareza que para isso precisamos da parceria e aliança com outros setores da sociedade. Só assim vamos avançar na disputa política da agroecologia como uma contraposição ao modelo de desenvolvimento hegemônico para o campo, que é o agronegócio. Esse modelo está avançando no Brasil e tem inviabilizado a ampliação das experiências agroecológicas, porque são modelos opostos. Queremos evidenciar que a agroecologia é capaz de dar resposta ao desafio de produzir com fartura conservando os recursos da natureza, temos milhares de experiências que mostram isso. O III ENA será um momento de mostrar para a sociedade, evidenciar que a agroecologia é importante porque todo mundo precisa de alimentos saudáveis, água, florestas preservadas, valorização da agricultura familiar e trabalho digno no campo”, afirmou. O objetivo dessas caravanas, segundo Monteiro, é dar visibilidade às experiências agroecológicas e mostrar sua importância naqueles territórios, além de evidenciar os bloqueios que impedem o avanço e consolidação dessas iniciativas. Por isso, serão visitadas, por exemplo, experiências de mobilizações de resistência a grandes projetos e obras que prejudicam a agricultura familiar ou geram impacto negativo no ambiente. Haverá também debates sobre como as políticas públicas favorecem ou dificultam o avanço da agroecologia. “Mobilização para denunciar os problemas que são enfrentados, mas também para ampliar o alcance da agroecologia e envolver mais os agricultores e consolidar suas propostas nesses territórios. Vai acontecer essa caravana na zona da mata e em outros territórios, que estão sendo planejadas, como na Amazônia, no semiárido, e na região sul. As caravanas serão um momento de mobilização do campo agroecológico, e grande diálogo com a sociedade. A partir delas serão organizados alguns encontros locais, que vão culminar na realização do III ENA”, concluiu. Veja a programação e mais informações no Caderno do Participante da Caravana Agroecológica da Zona da Mata. |
Informação, de acontecimentos, em nossa Região sobre socialismo, Educação, Religião e Politica... confira nossas reportagens ou nos envie a sua com imagens
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Caravana agroecológica em Minas Gerais rumo ao III ENA
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Após o I Encontro Nacional de Agroecologia, no Rio de Janeiro, em 2002, foi criada a ANA. O ENA é um momento de culminância do processo de mobilização dos agricultores e organizações que trabalham na promoção da agroecologia em todo o Brasil. Celebração, troca de experiências, apresentação para a sociedade e governos das inquietações e propostas do movimento agroecológico, são questões abordados nos encontros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário